Empresarial
Recuperações judiciais batem recorde no Brasil; juros a 15% pressionam o caixa das empresas
Serasa Experian aponta 2.466 empresas em recuperação judicial, alta de 13% em um ano. Juros ainda altos e 8,7 milhões de CNPJs negativados explicam o movimento.
Núcleo Empresarial· Ribeiro Martins & Moreira Advogados · 01/07/2026

O Brasil vive o momento mais agudo de estresse financeiro empresarial da série histórica. Segundo a Serasa Experian, o país soma 2.466 empresas em recuperação judicial, um crescimento de 13% em relação ao ano anterior, e os pedidos seguem em alta em 2026. O dado importa para qualquer empresário: fornecedor, cliente ou parceiro em dificuldade afeta diretamente a sua operação.
Por trás do recorde está a combinação de juros e endividamento. A taxa Selic, que passou boa parte de 2025 em 15% ao ano e só começou a ceder em 2026 — chegando a 14,25% após a reunião do Copom de junho —, encarece o crédito e corrói o caixa. Em janeiro de 2026, 8,7 milhões de CNPJs estavam negativados, com dívida média de cerca de R$ 23 mil e aproximadamente sete restrições por empresa — indicador que historicamente antecede novos pedidos de recuperação. Em 2025, a agropecuária respondeu por 30,1% das recuperações, seguida de perto pelo setor de serviços, com 30%.
Recuperação judicial não é o fim — e nem sempre é o primeiro passo
A recuperação judicial, prevista na Lei 11.101/2005, é uma ferramenta legítima de reorganização: suspende execuções por um período, permite renegociar o passivo em bloco e preserva a atividade e os empregos. Mas ela é apenas uma das saídas. A renegociação extrajudicial, a mediação com credores e a recuperação extrajudicial homologada em juízo costumam ser mais rápidas e baratas quando a crise é detectada cedo.
O erro mais comum é esperar demais. Empresas que buscam orientação apenas quando já sofrem bloqueios judiciais e protestos chegam à mesa de negociação sem fôlego de caixa e com menos alternativas. Sinais de alerta como uso recorrente de crédito caro para pagar folha, atraso escalonado de fornecedores e negativações em cadeia pedem diagnóstico jurídico imediato.
O que o empresário do DF e de Goiás deve fazer
O primeiro passo é um raio-x honesto: mapear dívidas por credor, garantias oferecidas, contratos essenciais e faturamento realista. Com esse retrato, é possível definir a estratégia — renegociar diretamente, estruturar uma recuperação extrajudicial ou, se necessário, preparar um pedido judicial bem fundamentado, com plano viável. Do outro lado do balcão, quem tem clientes em recuperação precisa habilitar corretamente seus créditos e acompanhar as assembleias para não ser diluído em condições desfavoráveis.
O Núcleo Empresarial do Ribeiro Martins & Moreira Advogados atua tanto na reestruturação de empresas em dificuldade quanto na defesa de credores em processos de recuperação no Distrito Federal e em Goiás, sempre com foco em preservar a operação e o patrimônio de quem empreende.
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não constitui aconselhamento jurídico para caso concreto, em conformidade com o Código de Ética e Disciplina da OAB e as normas de publicidade em vigor.

